Análise Macross -Shooting Insight-
Para quem nunca ouviu falar, Macross (マクロス, Makurosu) é uma franquia de mídia de ficção científica e mechas japonesa criada pelo Studio Nue e Artland em 1982, com a supervisão de Shōji Kawamori. A série, que explora a história da Terra e da civilização humanoide após 1999, é composta por quatro temporadas de TV, quatro filmes, seis OVAs, um romance leve, cinco mangás e mais de 40 jogos de vídeo. O termo “Macross” se refere à nave principal da série, começando com a icônica Super Dimension Fortress Macross, e aborda a descoberta de tecnologias avançadas por humanos após o acidente de uma nave alienígena, a ASS-1.
Macross -Shooting Insight-, produzido KAMINARI GAMES e lançado para PlayStation 5, sem mais delongas, falhou em entregar uma experiência satisfatória à altura da franquia. Apesar de contar com elementos nostálgicos e personagens icônicos, o jogo apresenta sérios problemas na jogabilidade, no design e até mesmo nas decisões narrativas. Em vez de expandir o legado de Macross nos videogames, o título desaponta tanto como shooter quanto como uma adaptação da série.
O maior problema de Macross -Shooting Insight- está na jogabilidade, que deveria ser o ponto forte do jogo. A tentativa de diversificar os estilos de shmup, alternando entre rolagem vertical e horizontal, movimentação livre ao estilo twin-stick shooter e até fases de gallery arcade shooter, acaba sendo um desastre. As fases de gallery arcade shooter, em particular, dificultam a leitura da tela e tornam quase impossível calcular a distância dos projéteis inimigos, comprometendo completamente a experiência. A falta de controle sobre os modos de transformação dos caças (Fighter, Gerwalk e Battroid) também é frustrante, já que as mudanças são predefinidas em cada estágio, tornando a principal mecânica do jogo irrelevante.
Além disso, a dificuldade é excessivamente punitiva. A falta de itens para recuperar vida, a ausência de checkpoints e a necessidade de reiniciar a fase inteira ao morrer tornam o jogo um exercício de tentativa e erro, em vez de uma experiência baseada em habilidade real. Isso parece uma tentativa de aumentar a longevidade do jogo artificialmente, ao invés de proporcionar uma curva de aprendizado justa, como visto em outros clássicos do gênero, como Ikaruga e Gradius. A má calibração da hitbox e o excesso de projéteis na tela tornam o jogo mais frustrante do que divertido. É um simulador de jogo velho de Arcade, com aquela mentalidade de comer fichas justificável dos anos 80 e 90, mas sem nenhum estímulo recompensante, a não ser, talvez, se você for um fã bitolado da franquia.
Outro grande problema é a falta de qualidade na produção. Esperava-se que um jogo baseado em uma franquia com tanta importância visual e musical entregasse um nível de polimento mais elevado, mas os gráficos simplórios e a interface digna de um jogo “mobile” demonstram o oposto. Macross -Shooting Insight- parece mais um jogo de baixo orçamento, sem o impacto visual esperado para uma produção da geração PlayStation 5. As batalhas, que deveriam ser intensas e emocionantes, acabam perdendo seu impacto devido à falta de efeitos visuais impactantes e uma execução fraca.
A mecânica dos satélites de interferência, que libera a performance de uma das cantoras da franquia como um bônus temporário, faz todo o sentido dentro do universo Macross, mas a trilha sonora do jogo é limitada e decepcionante. Cada saga tem no máximo uma ou duas músicas representadas (exceto Macross Frontier, que tem três), e as versões tocadas durante o jogo são encurtadas para cerca de um minuto e meio, entrando em momentos aleatórios e passando a mera sensação de que estão ali apenas por estarem. A falta de um modo jukebox para ouvir as músicas completas é ridícula, especialmente considerando a importância da música na série.
Enquanto Macross sempre se destacou por conta da história de ficção científica, Macross -Shooting Insight- falha em construir até mesmo uma narrativa feijão com arroz. A trama é rasa e serve apenas como um pretexto para reunir personagens de diferentes séries, mas sem a devida justificativa ou profundidade. A falta de criatividade na explicação do crossover compromete ainda mais o potencial do jogo. As interações entre personagens são superficiais e mal exploradas, e a curta duração das campanhas individuais não dá tempo para o enredo se desenvolver adequadamente.
Macross -Shooting Insight- é, infelizmente um grande desperdício. O jogo tenta atrair os fãs nostálgicos com personagens e músicas clássicas, mas falha em entregar uma jogabilidade envolvente, um enredo interessante e um nível de produção digno da franquia. Com mecânicas frustrantes, gráficos simplórios e uma história preguiçosa que não chama os novatos para o universo de Macross, o jogo não se destaca nem como um bom shooter, nem como uma adaptação aceitável de Macross. Em vez de celebrar a grandiosidade da franquia, Macross -Shooting Insight- se torna mais um de tantos exemplos do que não fazer com um jogo baseado em animes.